Medicina da mente

Esta coisa do escrever e o motivo da coisa, ficam por decifrar de escriturário para escriturário e de circunstância para circunstância.

Às vezes escrevo para me sentir útil a mim própria, outras vezes porque tudo é de mais ou cansa rápido demais, ou ainda porque tenho coisas a mais dentro. Trata se de mim, deste ego que precisa de uma orientação quer do espirito, quer do meio, quer da inspiração imaginária.

Dei por mim num dos momentos em que precisei de mim. Escrevi a dor de rédeas soltas. Esgravatei mais uns cantos sujos e automaticamente, enquanto escrevia, a calma superou a intermitência daquela escuridão onde se esconde a vítima que tende a precisar de um pouco de ar e maresia.
Tudo isto acontece dentro de mim.
A escrita muda de rumo e o entendimento vem à claridade enquanto eu e a vítima trepamos aquele poço trancado pelas memórias que decidimos lá guardar para as decifrar no decorrer deste projeto-vida.
Saímos do poço incomodadas com o sol e as lágrimas.
Sentadas no bordo redondo de pedra, dissipamos a nossa imagem naquele ar de mar e já não somos dor mas o todo que ali está.
A solução depressa nos toca e no papel, à minha frente, estão as palavras que precisava de ouvir, o conselho, a solução tão esperada.

Além de ter obrigado a minha mente a desacelerar com a ação do papel e da caneta, fui aos recantos meus buscar o auxílio para encontrar a solução.

Uma micro-transformação abstrata. Mais uma frequência densa transmutada.

Que seríamos de nós sem nós?

Entendam que isto não é só arte…

Isto é medicina da mente.

Eis que inspirada neste processo sai este texto onde o escriturário é o motivo da coisa para o escritor penetrar no entendimento das suas circunstâncias e escrever sobre.

Estuda se.

E entre outros afazeres, estuda se.

Pensam que estudei pouco na escola?… Por acaso até nem estudei grande coisa, mas safei me com a “palha” (como intitulavam a minha perspicácia em montar frases a dizer o memso) e com a minha capacidade de absorção quando atenta às aulas.

Mortinha por acabar o sacrilégio escolar e iniciar me no paraíso do mundo do trabalho, abandonei por completo os estudos até perceber que a vida estagna quando resistimos ao alimento da juventude.

Agora, vou estudando, com muito gosto, sempre que posso… Os meus estudos podem parecer inócuos e só eu sei o quanto cresço dentro quando me desafio.

Não faço isto para ninguém, mas exponho que o faço para saberem que há quem faça e que não estão sozinhos, ou que vão sempre a tempo.

Talvez nem parem neste post, por escassez de olhos bonitos ou curvas acentuadas, ou nem leiam isto até ao fim, mas acho importante, nos tempos que correm não desistirmos de nós mesmos!

Avé Maria

Apesar de ter tido uma educação católica tenho outras orientações religiosas, e não satisfeita e não desperdiçando os anos de orações repetidas na catequese e missas semanais decidi fazer a minha versão do Avé Maria, para Honrar o feminino.

Que vos sirva como me tem servido bem a mim!

Tu, Maria cheia de graça
Senhora és connosco
Bendita és tu entre e com as mulheres
E bendito é o fruto do nosso ventre: manifestação!
Santa Maria, mãe de todos os universos,
Ora, zela, cuida, cura, orienta e protege todos os manifestadores/as
Em todos os Agora's
E na hora da nossa passagem eterna.

Avé, Maria, Avé!

Rato grato

Compreende se que o cinza rato deste rio atmosférico decide pingar com a irregularidade  desabitual. Ver te começa a ser uma realidade irregular, mas de um alívio tal que até o tempo aquece para libertar as endorfinas que nos prestam.

Sentir te não longe mas de longe também.

Não existem mais ou menos recursos. Existem tantos quantos há. Somos ignorantes ao achar que estamos a tirar algo à Mãe, mas não estamos. Estamos sim, a gasta los rápido demais, ou a desperdiça los demonstrando ingratidão.

Pareço me ingrata de vez a vez, usando pedaços de dores que gostam de boiar ou de assombrar quando me alieno, mas como nada é inventado, como tudo vem e volta para o mesmo lugar, giramos como ciclones e anti ciclones pelas estações e percebo que nada nos falta, nem mesmo com a ausência do azul que o rato veio roubar ao céu nestes dias de rios celestes.

Não sei. inspiração.

Não sei se sobe ou desce
Esta inspiração...
Mordo nuvens e não sei
Sou um triciclo de ciclos
E subo, desço, retrogrado,
Ou estagno
Tipo lago pousado
Após ser regado.

Esta inspiração
Do amor, da atenção
Da música e da perdição,...
Tanto que me inspira
E não sei se respiro
Ou se existo para exalar
Cores, dores e paixão.

A cura solteira

Tenho sido uma solteira.
Não me tenho prendido ao hábito de amar.
Uma desesperança quase mecatronica
Com um fim de ciclo por cumprir.

Sinto um romance perfumado no ar
Uma fotossíntese iniciática
Ainda na fase micro celular
Sinto a como micélio
A penetrar os lugares
Onde os conceitos erróneos
Se aglomeraram
E imperam no agir.

Um perdão pairante,
O desintegrar das culpas,
A cura das tripas,
A limpeza hepática,
O reajuste do esqueleto,
A drenagem completa,
A vitalidade a ser instalada.

Sinto nos metamórficos
E talvez o romance ganhe termos
E me deixe ficar onde eu saiba amar
E ainda me habituar.

Mas,
Tenho tido namoros solteiros
E decidi ficar sem namorar.

Se completos

Arranco mais uns versos às palavras que poderíamos ter trocado, se fossemos completos…

Sim, se fossemos completos estaríamos a cantar em uníssono pelas ruas do mundo, na mesma calçada ou nas paralelas que já conhecemos. Estaríamos também a curar desmedidamente e a fazer milagres hereges, a colar países e a limar umas arestas pendentes.
Também Seríamos cristais ambulantes ou diamantes galácticos a brilhar num contágio tal que tudo excedia de calor e amor.

Se fossemos assim tão completos, estaríamos na coragem de largar tudo a que nos agarramos com os anos que passaram…

Mas não estamos, pois não?

Acredito que se estivéssemos super completos, seríamos poetas a cada brisa do respiro, estaríamos felizes e a celebrar e não mecânicos só a trabalhar, neste cansaço de sermos assim tão incompletos que não chegamos a ver a luz do dia onde o sol nasce do mesmo lado…

Assim a vida sem fim continua no não completo do nosso estar…



Ai!… Se fossemos assim completos…

Pequenos nirvanas

Um tronco pousado na berma do canteiro. O silêncio da portada entreaberta virada a poente com o por do sol quase a findar. O livro já escrito por entregar. A furtividade do primeiro olhar de dois estranho que já se conheciam de algum lugar. O lava-pés de alecrim da dona Maria no final do dia. A primeira colher de canja de galinha da mãe aos 38 graus de febre. A futilidade de comer um gelado debaixo de 30 graus à sombra. O primeiro toque da queda de água nos ombros. O colo aquecido pelo tempo que se esperou pelo abraço cuidado. A primeira telepatia consciente das mentes que segregam a comunicação invisível do amor. O derreter esperado pelo cansaço no vale dos lençóis correntes de sonhos. A primeira vista do mar. A terra à vista depois de muito tempo a nevegar. O primeiro choro do bebé. O fim do sofrimento de quem espera a morte na inércia cruel da doença. O primeiro contacto recíproco. A liberdade do primeiro dia do divórcio. O alívio das cólicas. O entrar na divisão da lareira a crepitar depois do nevão. A viagem acabada de comprar e as rodas do avião a tocar no chão na chegada. A saudade a terminar no encontro. O tronco pousado na berma do canteiro e a história acabada de contar.

Conclusão romântica

“Não te apresses em pensar que fujo.
Não receies outros em mim.
Eles existem só para te justificar.”

Romancear.
Um romanceiro.
Romantizar.
Tornar romântico.
Romance vem de Roma.
Uma leitura medieval.
Uma invenção mágica
Uma ficção emocional.
Embelezamento do que é na verdade real.
A ilusão da beleza humana em amor,
Não fosse a palavra AMOR Roma ao contrário
Seríamos reais sem saber
O que o amor romanceia
Na nossa ficção emocional.

https://pt.m.wikisource.org/wiki/Dicion%C3%A1rio_de_Cultura_B%C3%A1sica/Romance

Quem sabe…

Preciso de te dizer aos poucos que gosto de ti, como quem come melão aos cubos.

Precioso de amoras no meu caminho e eu com tantos amores no meu vestido.

Assim vive um poeta, e eu não nasci a saber ser diferente, mas muito diferente.

Vejo te corajoso por me olhares com a arregalia da alma, mas ingénuo ao querer arriscar… É que a intensidade não me escapa e os tempos são austeros.

Quero fugir à regra, como sabes, e por isso fugir à crise.

Só muita imaginação poderá partir de quem quer remar contra uma maré forte de inabilidade!

Quem sabe…